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ChatGPT Ads no Brasil: CTR, CPC e lições de seis semanas

Seis semanas de ChatGPT Ads no Brasil. Como abrir a conta, medir e montar campanha, com CTR, CPC e CPM reais e a queda de resultado depois do começo.

ChatGPT Ads no Brasil: CTR, CPC e lições de seis semanas

O ChatGPT começou a exibir anúncios no Brasil em agosto de 2026, e desde a primeira semana temos campanhas no ar em algumas contas que a Marktech gerencia. Este artigo resume como foi abrir a conta, medir e montar campanha, e traz os números de CTR, CPC e CPM dessas primeiras seis semanas, com a queda de resultado que veio depois de um começo muito bom.

A OpenAI testou anúncios com usuários brasileiros na primeira semana de agosto e confirmou o lançamento no dia 11. Dois dias depois a nossa primeira campanha estava rodando. Os dados vão até 22 de setembro, somam todas as contas e nenhuma delas é identificada.

Onde o anúncio aparece e quem vê?

O anúncio é um cartão abaixo da resposta do ChatGPT, separado por uma linha fina e marcado como “Anúncio”. Leva nome e favicon do anunciante, título, um texto curto, imagem quadrada e o link de destino. No computador, quando há mais de um anúncio relevante para a conversa, dois cartões dividem a mesma linha. A resposta não muda por causa do anúncio; a OpenAI trata essa separação como princípio do programa.

Prévia de um anúncio do ChatGPT Ads no visualizador da Marktech, com a pergunta do usuário, a resposta em barras e, abaixo de uma linha fina, o cartão com imagem, nome do anunciante, rótulo Anúncio, título e texto
O cartão como aparece no computador, reproduzido no visualizador de anúncios do ChatGPT Ads da Marktech.

Nem todo mundo vê os cartões. Eles aparecem só para maiores de 18 anos nos planos gratuito e Go; quem paga Plus, Pro ou um plano corporativo não recebe anúncio, e temas sensíveis, como saúde e política, ficam de fora. Segundo a OpenAI disse à imprensa, o anúncio só entra em conversas com intenção comercial, perto de um quinto das consultas. A escolha do anúncio leva em conta o tema da conversa, os anúncios com que a pessoa já interagiu e, com a personalização ligada, o histórico dela no ChatGPT. O anunciante só vê os totais de impressões, cliques e conversões.

Como criar a conta e medir?

A conta nasce em ads.openai.com com um login comum da OpenAI. O cadastro pede dados da empresa, país, moeda e fuso horário (esses três não mudam depois), passa pela verificação de identidade da Persona e espera alguns dias na fila de análise. Depois faltam o nome e o favicon que aparecem no cartão, o perfil de cobrança com CNPJ e um cartão de crédito. A cobrança é pós-paga, debitada quando o gasto bate um limite ou no fechamento do mês. Dá até para criar e editar campanhas de dentro do próprio ChatGPT.

O rastreamento é praticamente o do Meta Ads, até nos nomes, e não por acaso. Tem Pixel no site (direto ou pelo Google Tag Manager), API de Conversões no servidor, correspondência avançada automática e uma nota de qualidade dos eventos. As duas diferenças que importam são o oppref, um parâmetro que chega com o clique e precisa sobreviver a redirecionamentos, e o fato de só eventos padrão (lead, cadastro, pedido criado) servirem para otimizar a entrega. As conversões aparecem com até 48 horas de atraso, e a nossa convenção de UTM é utm_source openai com utm_medium cpc; o gerador de UTM sugere chatgpt na origem, e os dois servem, desde que a conta não misture.

Como montar a campanha?

O gerenciador é bem parecido com o do Meta Ads, inclusive na estrutura. A campanha define objetivo, verba, datas, locais e plataformas; o grupo de anúncios define lance e tema; o anúncio é o cartão. Os objetivos são visualizações (cobrança por mil impressões), cliques e conversões; o último otimiza para um evento padrão e cobra por clique ou impressão. Objetivo, cobrança e evento não mudam depois de criados, então mudança de rumo é campanha nova. A verba mínima é R$ 40 por dia, tratada como média da semana, com um dia podendo gastar até o dobro.

Diagrama das três camadas do ChatGPT Ads, campanha (objetivo, evento de conversão, verba, datas, locais, plataformas e públicos), grupo de anúncios (lance e dicas de contexto) e anúncio (nome, favicon, título, texto, imagem e link)
As três camadas e o que se decide em cada uma. A segmentação por conteúdo mora no grupo de anúncios.

A segmentação é a parte mais diferente. Não há palavra-chave, idade, gênero nem interesse. A campanha escolhe país (no Brasil, também estados e cidades), plataformas (app e web no iOS e no Android, e web no computador) e públicos personalizados por e-mail ou telefone, com mínimo de 25 mil pessoas encontradas para incluir. O resto fica nas dicas de contexto do grupo de anúncios, um texto livre que descreve para quais conversas e necessidades o produto é relevante. A documentação pede frases naturais sobre o que é, para quem serve e quando ajuda, e avisa que a dica orienta a relevância, mas não é regra de exibição. Testamos dois jeitos, listar perguntas como o usuário faria e descrever o público e a intenção em prosa, com o que priorizar e o que evitar, e os dois entregam. O lance tem duas opções, maximizar resultados (o padrão) e lance máximo manual, e nas campanhas de conversão há ainda um teto por conversão. Foi a decisão mais importante dessas semanas, e voltamos a ela adiante.

O anúncio herda nome e favicon da conta e tem título de até 50 caracteres, texto de até 100, imagem quadrada e link. Na tela ele é pequeno, e não dá para ler muito texto, então vale ficar dentro do que a OpenAI recomenda, de 16 a 24 caracteres no título e de 32 a 48 no texto; o que passa disso tende a ser cortado, principalmente no celular. A orientação é ter várias variações por grupo, cada uma com um ângulo, para o sistema achar mais conversas em que o anúncio cabe, e tudo passa por revisão. Na dúvida sobre como a peça vai aparecer, o visualizador abaixo mostra.

CTR, CPC e CPM nas primeiras semanas

Os números abaixo somam todas as campanhas entre 13 de agosto e 22 de setembro de 2026, calculados das somas do período (cliques divididos por impressões, gasto dividido por cliques), como no nosso benchmark de Google Ads.

ImpressõesCliquesCTRCPCCPM
4.965.78466.2291,33%R$ 2,40R$ 32,05
ChatGPT Ads, todas as contas e campanhas somadas, de 13 de agosto a 22 de setembro de 2026. Dados preliminares do gerenciador.

Para comparar, a mediana das contas de pesquisa do Google que gerenciamos ficou, em julho, em CTR de 8,98%, CPC de R$ 2,52 e CPM de R$ 248,51. No ChatGPT o clique custa parecido, mas a impressão custa um oitavo, porque só uma em cada 75 vira clique. Em CTR e CPM, o canal lembra o feed do Meta, não a busca. O CPM ficou entre R$ 32 e R$ 36 em contas de segmentos e verbas bem diferentes, o que sugere que o leilão precifica a impressão de forma parecida e o CTR de cada anúncio é o que decide o CPC.

O que aconteceu semana a semana

A primeira semana foi a melhor que vimos no canal. O clique custou R$ 1,03 e o custo por resultado ficou abaixo do que as mesmas contas pagavam em pesquisa e em social. Com esse sinal, a verba diária foi multiplicada por mais de seis na semana seguinte, e o resultado piorou em seguida.

SemanaVerba por dia (índice)CTRCPC
11001,80%R$ 1,03
26621,27%R$ 1,92
35901,31%R$ 2,90
44701,18%R$ 4,09
51931,45%R$ 2,46
6*1201,51%R$ 2,49
Todas as campanhas somadas, semana a semana. A verba por dia está em índice, com a semana 1 valendo 100. * Seis dias, dados preliminares.
Três gráficos de barras por semana, com a verba por dia subindo de 100 para 662 no índice e voltando a 120, o CPC subindo de R$ 1,03 para R$ 4,09 e recuando para R$ 2,49, e o CTR oscilando entre 1,18% e 1,80%
Verba, CPC e CTR nas seis semanas. A verba voltou perto do ponto de partida; o CPC, não.

Nas taxas, o movimento foi o mesmo. Da primeira para a quarta semana a taxa de conversão caiu 88% e o custo por conversão subiu 3.266%; na sexta semana, com a verba de volta perto do início, a taxa ainda estava 78% abaixo da primeira e o custo por conversão, 1.007% acima.

Parte da explicação é nossa. Multiplicar a verba dentro do mesmo público significa comprar as impressões mais caras daquele público, e cada real a mais rende menos que o anterior, a curva côncava do artigo sobre distribuição de verba entre canais. A outra parte é o mercado. O canal abriu com pouca gente disputando as mesmas conversas, e leilão de segundo preço com pouca disputa é leilão barato; conforme outros anunciantes entram, o segundo preço sobe, como no leilão do Google Ads. A pista está nas duas últimas semanas, quando a verba recuou e o CPC ficou em R$ 2,50, 2,4 vezes o preço de abertura.

Prévia do visualizador da Marktech com dois cartões de anúncio lado a lado abaixo da resposta do ChatGPT, o da Marktech à esquerda e o de outro anunciante, em barras, à direita
Quando dois anunciantes são relevantes para a mesma conversa, os cartões dividem a linha.

O algoritmo prefere gastar

Taxa de conversão caindo enquanto o volume sobe é a assinatura de um público que se expandiu. As campanhas rodaram com a estratégia padrão, maximizar resultados, sem teto de lance. A documentação avisa que a estratégia busca o maior número de resultados dentro da verba e não garante custo por resultado. Quando a verba cresce mais rápido do que as conversas realmente relevantes, o sistema estende a entrega a conversas de relevância menor até conseguir gastar, e paga mais caro por elas. O target nos pareceu razoável e a qualificação dos leads, aceitável. O que saiu do controle foi quanto o algoritmo aceitou pagar para ampliar o público.

A primeira correção foi devolver a verba ao patamar inicial. A segunda, que recomendamos a quem for começar, é não deixar o lance solto, com lance máximo manual nos grupos que já têm histórico ou teto por conversão nas campanhas de conversão. A OpenAI sugere lance máximo entre 3 e 5 dólares por clique nas campanhas de cliques; para conversão não há sugestão oficial, e o teto precisa sair do custo por lead que a operação aguenta. E vale olhar a taxa de conversão por semana, porque o acumulado esconde a queda.

A sua audiência usa o ChatGPT como buscador?

O maior limite do canal é o hábito de uso. O anúncio só aparece para quem usa o ChatGPT, e o costume de recorrer a assistentes de IA nas buscas do dia a dia foi adotado de forma desigual. É de esperar que um estudante abra o ChatGPT muito mais vezes por dia do que o dono de uma padaria, na média, e essa diferença define quanto da sua audiência é alcançável pelo canal; nas nossas contas, o volume disponível variou muito de um segmento para outro. Por cima disso, o profissional que paga Plus ou usa um plano corporativo, muitas vezes o decisor que uma campanha B2B procura, fica fora do inventário.

E parte das buscas conversacionais nem acontece no ChatGPT. Muita gente pergunta no próprio Google, que responde com IA na página de resultados, ou nos assistentes do WhatsApp e do navegador. O ChatGPT Ads compra uma fatia desse comportamento, não o comportamento inteiro. Para saber se a sua audiência está lá, o caminho é o de sempre, uma campanha pequena, com conversão bem medida, comparada às que já rodam.

Por onde começar

  • Medição antes da campanha. Pixel e API de Conversões, evento padrão escolhido, oppref preservado nos redirecionamentos e UTM na convenção da conta;
  • Verba pequena por mais tempo. Uma campanha de conversão perto do mínimo, com teto por conversão desde o início, e leitura semanal de CPC e taxa de conversão;
  • Dicas de contexto como frases de necessidade. O que o produto é, para quem serve e em que situação ajuda, com grupos separados por intenção;
  • Vários anúncios por grupo. Títulos de 16 a 24 caracteres e textos de 32 a 48, cada um com um ângulo, e a página mais específica possível como destino;
  • Régua própria. Os números da primeira semana não são a régua do canal; a comparação justa é com o custo por resultado dos outros canais da mesma conta, depois de um mês.

Voltaremos ao assunto com mais semanas de dados. Por enquanto, vale testar com verba pequena e desconfiar de resultado bom demais no começo, porque o leilão ainda está enchendo.

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