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Franquias

12 estatísticas inéditas sobre o franchising brasileiro

Calculamos doze indicadores do franchising brasileiro a partir de registros públicos, cada um com método publicado, fonte datada e arquivo CSV.

12 estatísticas inéditas sobre o franchising brasileiro

O que se sabe sobre o tamanho do franchising brasileiro provém de uma só fonte. A ABF publica todo ano o faturamento e a contagem de unidades do setor a partir de pesquisa amostral e de fichas que as próprias marcas preenchem, e o número circula sem contraponto porque não existe outra medição disponível. O procedimento é comum a entidades de outros setores, e o resultado é um mercado que chegou a 2026 sem leitura independente construída a partir de registro administrativo. O Franquias em Dados foi criado para produzir essa leitura.

O observatório parte dos registros que o Estado coleta por obrigação legal. Utilizamos o cadastro de CNPJ da Receita Federal, as pesquisas anuais do IBGE, os contratos averbados no INPI, os documentos que as companhias abertas entregam à CVM, as reclamações do consumidor.gov.br e o ISS que a prefeitura do Rio publica, e desse conjunto resultaram doze indicadores que descrevem o setor sem depender do que cada rede informa sobre si.

Cada indicador foi publicado com o cálculo descrito, a fonte datada ao lado do número e uma seção sobre o que o resultado não permite concluir, e as séries estão disponíveis em arquivo CSV, o que permite refazer cada cálculo. Seguem as doze estatísticas do lançamento.

Qual seria o teto da microfranquia se o critério fosse seguido?

A microfranquia é a porta de entrada do setor, e o enquadramento nessa categoria depende de um valor administrativo. Segundo a ABF, microfranquia é o negócio com investimento inicial de até R$ 135 mil, patamar em vigor desde 2023, e a própria entidade explica que o corte corresponde a três vezes o PIB per capita brasileiro. Como o critério é público, aplicamos a multiplicação ao PIB per capita de 2025 do IBGE, o que resulta em R$ 179.062, de modo que o teto da microfranquia está 24,6% abaixo do critério que deveria sustentá-lo.

A distância não se limita a um ano isolado. Desde 2010 o valor praticado passou 12 dos 16 anos abaixo do que a própria regra indicaria, e cada reajuste entrou em vigor já atrasado em relação ao critério.

Uma microfranquia custa o mesmo em Brasília e no Maranhão?

O teto é nacional e a renda não é, e por isso o mesmo valor tem peso distinto conforme a unidade da federação. Dividimos os R$ 135 mil pela renda média de cada estado, medida pelo PIB per capita estadual do IBGE, e o investimento equivale a 1,1 vez essa renda no Distrito Federal e a 6,3 vezes no Maranhão. O que em Brasília corresponde a pouco mais de um ano de renda média exige mais de seis anos no Maranhão, sob a mesma classificação de negócio acessível.

Quanto as empresas brasileiras gastam com royalties?

As pesquisas econômicas do IBGE trazem, desde 2007, uma linha de despesa em que as empresas declaram o que gastam com royalties, e dessa linha calculamos a intensidade de royalties de cada atividade, medida pelo lado de quem paga. Em 2023 a hotelaria comprometeu 8,55% de suas despesas com essa linha, os restaurantes 6,47%, as farmácias 4,35% e os supermercados 0,22%, faixa que separa as atividades que remuneram marca e método daquelas que concorrem por preço e giro.

Os sete blocos de atividade acompanhados somaram R$ 11,97 bilhões em 2023, seis vezes o valor de 2007 em termos reais. Duas ressalvas acompanham a leitura, porque a mesma linha recebe royalties de marca e de patente ao lado dos de franquia, o que a torna um teto para o gasto do franchising, e a pesquisa alcança apenas empresas com 20 ou mais pessoas ocupadas.

Quanto se paga de royalties em um contrato de franquia?

O percentual cobrado do franqueado consta da circular de oferta, documento que a lei de franquia determina entregar ao candidato dez dias antes da assinatura e cuja publicação não é obrigatória. Os contratos averbados no INPI são a exceção, porque o texto submetido ao instituto quase sempre traz o percentual e a base de cálculo. Levantamos 1.016 desses contratos com percentual explícito e chegamos a um royalty mediano de 5% sobre a receita bruta, número que cai a 3% na hotelaria e sobe a 12% em educação e treinamento, amplitude que reflete a variação do preço do sistema conforme o que ele entrega.

O acervo exige ressalva, já que o registro no INPI sempre foi facultativo e servia sobretudo para permitir a remessa de royalties ao exterior, o que enviesa a base em favor de franqueadores estrangeiros.

Por que o registro de contratos de franquia no INPI caiu?

Foram 156 certificados de contrato de franquia expedidos pelo INPI em 2023, 48 no ano seguinte, 23 em 2025 e apenas 7 até setembro de 2026. A explicação está em duas leis recentes, já que a 14.286, de 2021, dispensou a averbação para a remessa de valores ao exterior, e a 14.596, de 2023, desvinculou a dedutibilidade fiscal do registro, de modo que as redes perderam os dois motivos que as levavam ao instituto.

A série mede a procura pelo registro e nada além disso, porque o contrato de franquia continua válido sem a averbação no instituto.

Onde ficam as sedes das franqueadoras no Brasil?

Não existe cadastro público de franqueadoras, e a aproximação disponível é a classe 77.40-3 da Classificação Nacional de Atividades Econômicas, que abrange a venda e o licenciamento de franquias. O retrato da classe CNAE das franqueadoras que elaboramos com o Cadastro Central de Empresas do IBGE encontrou 9.282 unidades locais nessa classe em 2024, e 47,6% delas estão em uma das 27 capitais. A cidade de São Paulo reúne 1.474 e Barueri registra 184, o que reflete a concentração de sedes administrativas na região metropolitana paulista.

Unidade local não equivale a rede, porque sede, filial e centro de distribuição são contados separadamente, e o CNAE é declarado pela empresa sem auditoria.

É possível contar as unidades de uma rede pela base da Receita Federal?

Apenas em parte, como mostra a aderência cadastral que publicamos, obtida pela divisão dos CNPJs ativos que trazem a marca no nome fantasia pelo total de unidades declarado pela rede. O Espaçolaser aparece em 98% delas e a Cacau Show em 68%, enquanto o Kumon registra 6% e o Market4U 1%, com mediana de 50% entre as 23 marcas medidas, contadas na base integral da Receita.

Percentual baixo informa sobre o preenchimento do cadastro, e apenas sobre ele. Preencher o campo com denominação diversa da marca é prática comum, legítima e sem implicação sobre o número de unidades da rede, e ocorre quando o franqueado prefere a razão social da própria empresa ou quando o modelo do negócio dispensa a abertura de um CNPJ por ponto. Apenas 28% dos estabelecimentos ativos do país trazem esse campo preenchido, e assim o campo em branco é a situação mais frequente em toda a base.

As redes estão abrindo mais lojas próprias ou mais franquias?

As franqueadoras de capital aberto formam o único conjunto de redes cuja contagem de unidades pode ser conferida trimestre a trimestre em documento entregue ao regulador, e as oito que acompanhamos encerraram junho de 2026 com 9.738 unidades. Nos doze meses anteriores abriram 206 lojas próprias e 69 franquias, e a proporção franqueada do grupo caiu de 68,7% para 67,5%, o que indica que a expansão com capital próprio voltou a ganhar espaço nas redes com acesso ao mercado de capitais.

São oito companhias em um setor majoritariamente de capital fechado, e cada uma define o que conta como unidade, razão pela qual o movimento se refere a esse grupo e não ao setor inteiro.

As grandes redes de franquia respondem no consumidor.gov.br?

A plataforma da Secretaria Nacional do Consumidor registrou 3.615.338 reclamações finalizadas de 1.820 empresas entre agosto de 2025 e julho de 2026, e é a maior fonte aberta sobre atendimento ao consumidor no país. O franchising tem participação mínima na plataforma, e a adesão ao consumidor.gov.br mostra três das dez maiores redes com reclamações registradas e outras 73 marcas de grande porte sem registro no período, o que indica ausência de reclamação, não necessariamente de cadastro.

A adesão à plataforma é decisão de cada empresa, sem obrigação legal, e a ausência, portanto, não configura irregularidade nem indica atendimento pior, especialmente em redes que mantêm canal próprio e operam por franqueados com CNPJ independente. Publicamos as redes com registro e as sem registro no período, com os indicadores oficiais das que aderiram, sem ordenar marcas por desempenho.

Em quais estados as franquias estão mais presentes por habitante?

Sete redes publicam em seus sites a localização de todas as unidades, o que permitiu calcular a densidade por estado sem depender de total declarado. A Smart Fit tem 2,34 academias por 100 mil habitantes no Distrito Federal, contra média nacional de 0,47, o Kumon registra 0,78 no país e a Chiquinho Sorvetes vai de 1,77 em Rondônia a 0,03 em Alagoas, variação que sugere expansão orientada por rotas próprias mais do que pela distribuição da população.

A concentração paulista se repete nas sete redes, que mantêm de 32% a 38% de suas unidades em São Paulo, estado onde vive 21,6% da população do país, conforme a coleta de setembro de 2026.

Quanto de um mercado uma rede de franquia chega a ocupar?

Sem faturamento por empresa em base pública, comparamos contagens, relacionando as unidades de cada rede aos CNPJs ativos do CNAE em que ela atua. A fatia das redes por CNAE mostra as três maiores redes de chocolate, Cacau Show, Kopenhagen e Brasil Cacau, equivalendo a 16,1% dos CNPJs do varejo de doces e chocolates, proporção que sobe para 24,8% sem os microempreendedores individuais (a Cacau Show isoladamente responde por 13,3% e 20,4%), já que o MEI do ramo costuma ser produção caseira. No ensino de idiomas o Kumon equivale a 10,7% da base sem MEI, e o McDonald's corresponde a 0,6% das lanchonetes do país.

Contar estabelecimentos não mede participação de mercado, já que o porte de uma loja de rede e o de um CNPJ individual não se equivalem, e a razão serve apenas para indicar ordem de grandeza.

Quanto de ISS as franqueadoras recolhem sobre os royalties?

Nenhuma outra capital publica mensalmente o subitem da lista de serviços em que o franqueamento foi enquadrado, e por isso a Nota Carioca é a única fonte pública sobre quanto as franqueadoras cobram de seus franqueados. As sediadas na cidade declararam R$ 603,4 milhões de royalties e taxas em 2025, 53,8% acima de 2019 em reais correntes, e o ISS de franquia no Rio ficou em alíquota efetiva de 2,07%, ante os 5% nominais do serviço.

A distância entre a alíquota nominal e a efetiva tem explicação na própria legislação e não indica recolhimento a menor, porque as empresas optantes pelo Simples Nacional recolhem o ISS na guia única, com percentual inferior, e ainda influem as retenções feitas por outros municípios e o intervalo entre a declaração da nota e o pagamento do imposto.

O que o Franquias em Dados não faz?

O observatório opera com limites definidos antes da publicação. Não fazemos raspagem do Portal do Franchising nem reproduzimos ficha, ranking ou tabela publicada nele, e não usamos a API DataJud do Conselho Nacional de Justiça, cujos termos vedam uso comercial. Não publicamos ranking de piores marcas, porque ordenar redes de portes e modelos diferentes por atendimento ou cadastro produziria uma comparação injusta, e não publicamos dado de pessoa física nem célula com menos de cinco estabelecimentos.

Número da ABF é citado em prosa, com atribuição e data, e nunca entra em tabela ou planilha do observatório. Onde ele serve de insumo, como na razão entre o faturamento do setor e o PIB, a página identifica a origem do número e a parte que é cálculo próprio. Erro apontado é corrigido na própria página, com data e descrição da alteração, e a metodologia detalha como cada número foi obtido.

Os doze indicadores estão publicados, cada um com sua página, seu método e seu arquivo, e as planilhas do observatório Franquias em Dados permitem a conferência de cada número.

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